
Ontem eu estive vendo um filme: comer, rezar e amar. Confesso que amei! Filme inteligente e bastante reflexivo. Percebi como que muitos de nós corremos de um lado para o outro em busca daquilo que na verdade está dentro de nós, nós mesmos.
Atribuímos a tudo e a todos nossos fracassos, dilemas e incertezas... o outro é culpado, menos eu.. porque perceber nossas limitações é um tanto quanto desconfortável... olharmos para nós mesmos e percebermos que eu falhei... é mais fácil dizer que surgiu algo que dificultou a transposição destas questões... e isso... não soluciona nada.. apenas tenta justificar.
Há quase dois anos venho trabalhando junto a um projeto de iniciação científica que trata da prevenção da depressão e suicídio... e me choca ver o quanto a humanidade está doente... como estamos tão carentes do outro e de nós mesmos... estatísticas tais como que a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio me assusta... que angústia é essa que sufoca tanto a alma de uma pessoa a ponto de destruir sua vontade de viver???
Ao mesmo tempo, me sinto impulsionada em continuar com minhas ações simplesmente por saber que a melhor maneira de prevenção do suicídio é OUVIR... OUVIR EMPATICAMENTE! E isso, eu tento fazer!
Durante nossa correria incessante em busca do casamento perfeito, da carreira de sucesso, dos bens, entre tantos outras coisas que ocupam nosso tempo no dia a dia pergunto... onde priorizamos o ouvir como ação básica para alcançar nossos objetivos??? quando eu vou parar para ouvir meu marido, meus filhos, meus pais, meus irmãos, amigos... quando eu vou parar para me ouvir??? Ouvir minhas reclamações e elogios de mim mesmo???
Exigimos tudo tão perfeito, mas esquecemos do básico; queremos ensinar lições de moral a todos que se apresentam diante de nós... que muitas vezes sentam a nossa frente para serem ouvidos.. e ao invés disso falamos..falamos..falamos...dizemos ou melhor tentamos ensinar como que se deve fazer, colocamos nossas ações como exemplos, como referenciais... dizemos..se eu fosse você.. ah porque eu fiz assim...rss.. enquanto que tanto o que fala como o que tenta falar só precisa ser ouvido.
No entanto, muitos de nós optamos em não falar mais, o olho no olho, face to face não existe mais, ou melhor está em extinção!!! Agora é o olho na tela, dedos no teclado, face to computer! Agora é o falar e ouvir virtual que invade nossas vidas como estratégia de sobrevivência num mundo onde o silêncio das nossas almas se expande, onde nossas vozes são caladas pelos julgamentos de uma sociedade que pensa e age como se fosse perfeita.
A cada dia nos infiltramos mais e mais nesse emaranhado cibernético... tudo nos chama atenção: 3d, 4d , jogos virtuais cada vez mais reais; simuladores sensacionais... vivo mais com olhos vidrados numa tela do que num ser humano, num olho humano, na realidade humana. Diante disso estou cada vez mais sem palavras...
Seja em casa, no ambiente de trabalho, na religião... Nós não somos ouvidos! Nos são impostas regras de sobrevivência a todo instante e em nenhuma delas encontramos algo que valorize quem realmente somos, seres humanos!
Como um desabafo e indignação pelo extermínio do contato humano, face to face, escrevo este texto; encorajando a você, meu amigo, a fazer parte desta corrente de ouvir.. ouvir o outro e a você mesmo; abrir mão de suas próprias regras e imposições, castigos que nós mesmos nos damos; se perdoe! Se ame! e se permita experimentar o novo!
Termino esta reflexão com uma frase do filme comer, rezar e amar:
“ A gente precisa ter o coração partido algumas vezes. Isso é um bom sinal, ter o coração partido. Quer dizer que a gente tentou alguma coisa.”
Um grande beijo no coração,
Gabrielle Rocha.




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